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Na páscoa de 1902, Maurice Solovine leu um anúncio num jornal de Berna segundo o qual Albert Einstein dava aulas particulares de matemática e física por três francos a hora. No terceiro dia de aula, Einstein desistiu de cobrar e sugeriu que eles tivessem apenas reuniões diárias para discutir o que bem entendessem. Algumas semanas depois Conrad Habicht começou a participar das discussões. Para ridicularizar as verdadeiras academias científicas passaram a se autodenominar Akademie Olympia. Foi com esses dois colegas e com Michele Besso que Einstein discutiu as idéias científicas que redundaram nos extraordinários trabalhos publicados em 1905. Veja um texto sobre a Academia Olímpia, publicado no jornal de divulgação científica Voz do Paraná

O trabalho que causou a maior repercussão foi aquele sobre a teoria da relatividade restrita. Logo depois, Albert Einstein (AE) publicou um pequeno artigo, no qual ele deduziu a famosa equação E=mc2, a partir da teoria da relatividade. Por volta de 1985, Umberto Bartocci, professor de matemática da Universidade de Perugia, descobriu que Olinto de Pretto (OdP), um cientista amador italiano, também publicara um trabalho com a mesma equação, um ano antes de Einstein. O prof. Bartocci fez uma exaustiva investigação e sugeriu que Einstein conhecia o trabalho de OdP. Este conhecimento viria através de Michele Besso, grande amigo de AE. Em 1999, Bartocci publicou o livro Albert Einstein e Olinto de Pretto: La vera storia della formula più famosa del mondo. Em seguida, o jornal inglês The Guardian deu grande publicidade ao caso, e várias suspeitas de plágio foram levantadas em outros veículos de comunicação.

Tendo como pano de fundo esta possibilidade, escrevi a novela O plágio de Einstein, publicada pela editora WS. http://www.wseditor.com.br/

Veja um trecho do primeiro capítulo:

Naquela manhã de 18 de abril de 1955, a notícia circulou rapidamente por todos os cantos de Princeton. Albert Einstein havia morrido durante a madrugada, vitimado pela ruptura de um aneurisma na aorta abdominal. No dia seguinte, o New York Times estamparia a notícia em sua primeira página. Aos 76 anos, Einstein era uma personalidade mundial. Autor da teoria da relatividade restrita, da teoria da relatividade geral, da teoria do efeito fotoelétrico, da explicação do movimento Browniano e da famosa equação E=Mc2. Por tudo isso, ganhara o Prêmio Nobel de Física, em 1921. Na tarde daquele mesmo dia 18, o corpo foi cremado em Trenton. Já na qualidade de Curador do Espólio de Albert Einstein, o dr. Otto Nathan foi encarregado de espalhar as cinzas, em local não revelado. Começava ali a execução do testamento assinado por Einstein em 18 de março de 1950. De acordo com sua vontade, a Universidade Hebraica, de Jerusalém, foi designada depositária final de suas cartas e manuscritos. O violino é deixado para o neto Bernhard Caesar, filho de Hans Albert. No início de 1960, a Srta. Helen Dukas, secretária de Einstein, já tinha organizada, catalogada e anotada quase toda a coleção de documentos encontrados na residência da rua Mercer e no gabinete do Instituto de Estudos Avançados. Milhares de páginas manuscritas, cadernos de anotações científicas, diários de viagens e correspondências diversas. Todavia, o arquivo apresentava falhas lastimáveis quando se tratava do período anterior a 1919. Nesta época, Einstein não tinha qualquer preocupação em preservar seus manuscritos nem a correspondência recebida. As poucas exceções foram as cartas com algum interesse científico ou cartas pessoais de outros cientistas. Por exemplo, uma carta enviada em 1906 por Max von Laue, na qual ele discute alguns resultados publicados por Einstein. Oito anos depois Laue ganharia o Prêmio Nobel de Física. Há também uma carta de Wilhelm Röntgen, enviada em 1906. Nesta carta, o descobridor dos raios X, Prêmio Nobel de Física de 1901, discute a teoria do movimento Browniano, desenvolvida por Einstein e publicada em 1905. Cabe também destacar uma carta enviada em 1907 pelo criador da teoria quântica, Max Planck, Prêmio Nobel de Física de 1914.

Segue-se um trecho do capítulo no qual o prof. Davert Stachmann é apresentado

No quinto aniversário da morte de Einstein o staff AE (denominação simplificada da equipe que estava preparando a edição dos Collected Papers de Albert Einstein) organizou um colóquio no Instituto de Estudos Avançados de Princeton. O objetivo era avaliar o andamento dos trabalhos referentes àquela ambiciosa empreitada, a edição de 29 volumes com toda a obra cientifica publicada por AE, além de sua correspondência e outros documentos sobre sua vida. Um inestimável tesouro para a história da ciência. No seu relato, a Srta. Dukas insistiu na necessidade da montagem de um arquivo sobre a Academia Olímpia. Informou que já dispunha de toda a documentação referente a Solovine, mas que nada havia da parte de Conrad Habicht. No dia seguinte, o staff reuniu-se para discutir a indicação de alguém para organizar aquilo que passariam a denominar Dossiê Conrad Habicht. Chegaram à conclusão de que deveria ser um especialista em História da Ciência e, que ao mesmo tempo, nem que fosse durante o seu programa de doutorado, tivesse desenvolvido trabalho de pesquisa em alguma área relacionada com a vida científica de Albert Einstein. Não precisava ter a genialidade de AE, mas deveria dominar o conteúdo da Física em condições de diálogo com gente de igual estatura intelectual. O nome do prof. Davert Stachmann foi aceito sem qualquer restrição: era uma inquestionável unanimidade. Embora não pertencesse ao staff, já era uma proeminente personalidade entre aqueles que se dedicavam à biografia de AE. Mr. Stachmann beirava os cinqüenta e cinco anos de idade, e já tinha mais de dez anos dedicados exclusivamente à História da Ciência, de cujo Departamento da Universidade de Princeton, era professor. Sua tese de doutorado, concluída em 1930, na Universidade de Boston, tratava da compatibilidade das equações de campo na teoria do campo unificado, um assunto extremamente complexo, e que era, naquela época, o preferido de Einstein. Aliás, Stachmann só entrara nessa área de pesquisa pela profunda admiração que nutria por AE, desde os tempos de colégio. Publicara vários trabalhos sobre o problema do espaço-tempo, sobre a relação entre as leis do movimento e a teoria da relatividade geral e sobre a possibilidade de uma teoria do campo unificado para a gravitação e a eletricidade. Pouco a pouco, direcionara seu interesse para a pesquisa em história da ciência. Inicialmente, estudara os trabalhos que, na virada do século, dariam origem à teoria quântica, sobretudo as contribuições de Einstein a esse tema. Detivera-se mais no debate entre este e Niels Bohr, dois grandes cientistas que discutiram vários aspectos da teoria quântica, embora a questão da eqüivalência massa-energia fosse a que mais lhe despertara a curiosidade. Publicara, também, um trabalho sobre as contradições em torno daquele assunto, recebendo, por isso, fartos elogios da comunidade científica.

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